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16/03/2026

Liquidação em duas etapas: o que é e como aumenta a segurança das operações com duplicatas

Como a liquidação em duas etapas aumenta a segurança das operações com duplicatas.

Se você acompanha o noticiário financeiro, já sabe que há uma revolução em curso no mercado de crédito regulamentadas pelo Banco Central, cuja alavanca é o advento das duplicatas escriturais, agora em fase mais próxima da operacionalização.

Quando falamos em revolução, não estamos exagerando: ao tornar 100% digital o ciclo de vida das duplicatas, com um registro centralizado e processos claros, o novo modelo aumenta a segurança para todos que lidam com esse título e ajuda a destravar um mercado bilionário de crédito.

Nesse sistema, em que uma duplicata já nasce eletrônica e registrada por uma entidade certificada, o mercado passa a ter clareza sobre a integridade daquele título e segurança de que ele está sendo usado uma única vez como lastro para operações de crédito.

Com isso, bancos, FIDCs e outros agentes financiadores têm mais atrativos para aceitar o título como viabilizador de uma operação de antecipação de recebíveis, enquanto empresas que precisam de fluxo de caixa para movimentar suas operações ganham mais acesso a fontes de financiamento.

(Para entender com profundidade as duplicatas escriturais, acesse nosso ebook no final da página)

Embora esses ganhos sistêmicos já tenham sido amplamente apresentados no noticiário, há melhorias em processos que são fundamentais para quem lida com esses títulos no dia a dia e que ainda praticamente não são conhecidos do público.

Um deles é o da liquidação em duas etapas. Esse sistema, previsto pela norma do Banco Central, se apoia na versatilidade do mundo digital para aumentar a segurança, a rastreabilidade e a conformidade de cada transação - beneficiando tanto os financiadores quanto as empresas.

Para dar mais clareza, vamos apresentar o conceito por meio de uma simulação. Suponha que uma fabricante de móveis "A" vendeu 300 cadeiras para uma casa de eventos "B", em uma operação a prazo, lastreada por uma duplicata.

Para viabilizar o fluxo de caixa, a fabricante de móveis cedeu seu título a um banco - ou seja, recebeu antecipadamente o valor daquele título, subtraído de um desconto negociado com o financiador. Assim, o detentor titular da duplicata passou a ser o próprio banco, que vai receber da casa de eventos o valor integral quando o prazo acordado chegar.

O fluxo parece simples, mas a experiência mostra que, sem uma governança robusta sobre esse processo, a transação pode sair do script. Caso a casa de eventos não seja informada a tempo sobre a cessão ou não cumpra a tarefa de alterar o destinatário nos seus controles, o pagamento pode acabar sendo feito para a empresa moveleira, e não para o banco, o novo credor de direito da duplicata.

Na liquidação em duas etapas, contudo, esse risco operacional é mitigado significativamente ao ser transferido para a escrituradora. No início do processo, a loja emite a duplicata de forma digital, por meio de uma registradora certificada (como a B3), que tem visão centralizada sobre o título.

Quando a fabricante de móveis cede a duplicata para um financiador em troca de antecipação de recebíveis, a mudança de titularidade é instantaneamente registrada no sistema central. O sistema sabe que o beneficiário final agora é a instituição financeira.

Na data do vencimento, entra em cena a liquidação em duas etapas. A primeira é a de arrecadação, na qual o sacado (a casa de eventos) paga a duplicata. Nesse caso, o pagamento não é feito para o detentor do título, mas para a conta da entidade registradora. A empresa pagadora, portanto, não é impactada ou confundida pela mudança de titularidade da duplicata; ele apenas cumpre sua obrigação de pagar ao sistema.

A segunda etapa é a de repasse ou direcionamento. Nessa hora, o sistema central, ciente da cessão, automaticamente repassa o valor arrecadado para a conta do banco, garantindo que o dinheiro chegue ao credor legítimo. Com esse trabalho sendo realizado por registradoras certificadas e de alta credibilidade, o processo se torna seguro e eficiente.

A liquidação em duas etapas, portanto, praticamente elimina um risco operacional antigo nas transações com duplicatas. É mais uma inovação que torna o mercado de crédito brasileiro mais robusto, transparente e atrativo para financiadores e empresas.

Para saber mais sobre as transformações no mercado de crédito e como as mudanças impactam seu dia a dia, acesse Duplicatas Escriturais.

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