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17/08/2026

SP2B: três reflexões sobre a jornada das empresas entre inovação, venture capital e mercado de capitais

Por Leonardo Resende, Superintendente de Relacionamento com Empresas da B3

 

Durante o SP2B, tive a oportunidade de conduzir um painel com Marcos Toledo, cofounder da venture capital Canary, sobre um tema que acompanha diariamente a trajetória de milhares de empreendedores: como transformar uma boa ideia em uma empresa capaz de crescer de forma sustentável.

Ao longo da discussão, ficou claro que muitas das narrativas tradicionais sobre empreendedorismo já não explicam adequadamente a realidade das empresas atuais.

Por muito tempo, a jornada de crescimento foi apresentada como uma sequência quase linear: nasce uma ideia, entra um investidor, a empresa cresce e, no fim, realiza um IPO. Mas o ecossistema evoluiu. Hoje, as companhias contam com diferentes fontes de capital, instrumentos de financiamento e mecanismos de crescimento que podem apoiá-las em momentos distintos de sua trajetória. O mercado de capitais deixou de ser apenas um destino final para se tornar parte dessa jornada.

Para mim, três aprendizados deste bate-papo merecem atenção especial de empresários, executivos e profissionais que estão pensando nos próximos passos de crescimento de suas organizações.

  1. O mercado de capitais começa muito antes do IPO

Talvez essa seja a principal mudança de mentalidade para muitas empresas. Ainda existe a percepção de que mercado de capitais é um assunto para o momento da abertura de capital. Na prática, a conversa pode começar muito antes.

Hoje, as empresas podem acessar diferentes instrumentos de financiamento de acordo com sua necessidade e estágio de maturidade, seja para financiar expansão, fortalecer sua estrutura de capital, apoiar investimentos ou acelerar projetos de crescimento.

O IPO continua sendo um caminho relevante para diversas companhias, mas empresas não precisam esperar chegar ao momento de uma oferta pública para começar a explorar as oportunidades que o mercado de capitais oferece. Instrumentos de dívida corporativa, como debêntures e notas comerciais, são exemplos de recursos que contribuem para diversificar fontes de financiamento para o crescimento de empresas.

  1. Crescimento sustentável exige profissionalização e governança

Outro ponto que chamou atenção durante a conversa foi a relação entre crescimento e maturidade empresarial.

Nos estágios iniciais, é natural que as organizações dependam fortemente de seus fundadores. São eles que atraem clientes, contratam talentos, desenvolvem produtos e conduzem as principais decisões do negócio.

Mas existe um momento em que crescer passa a exigir algo além da capacidade empreendedora: estrutura de gestão, governança, processos e uma organização capaz de evoluir sem depender exclusivamente das pessoas que a fundaram.

Talvez uma das formas mais simples de resumir essa transformação seja a seguinte: o IPO não prepara uma empresa para crescer. São as empresas que se preparam para crescer que eventualmente passam a acessar instrumentos mais sofisticados de financiamento.

Não por acaso, boa parte dos IPOs mais recentes tiveram origem em companhias que receberam investimentos de venture capital ou private equity ao longo de sua trajetória. Mais do que capital, esses investidores costumam contribuir para a profissionalização da gestão, o fortalecimento da governança e a preparação para novos ciclos de crescimento.

Para empresas em expansão, a reflexão importante é esta: governança não deve ser vista como uma exigência futura, mas como uma ferramenta para acelerar o desenvolvimento do negócio.

  1. Novos caminhos para acessar capital

Muitas companhias ainda acreditam que o mercado de capitais está restrito às maiores empresas do país. Nos últimos anos, no entanto, temos observado avanços importantes para ampliar esse acesso e criar novas alternativas de financiamento para negócios em diferentes estágios de desenvolvimento.

Um exemplo disso é o Regime Fácil, criado para simplificar o acesso de empresas com faturamento bruto anual de até R$ 500 milhões ao mercado de capitais. Em cerca de cinco meses de vigência, já foram captados mais de R$ 150 milhões na B3 por meio de emissões de debêntures e notas comerciais realizadas nesse ambiente.

Mais do que um novo regime regulatório, essa iniciativa reforça uma tendência importante: cada vez mais empresas podem acessar soluções de mercado de capitais para apoiar seus planos de crescimento, inovação e expansão.

Uma pergunta para levar daqui

Se existe uma reflexão que gostaria de deixar após essa conversa, ela é bastante simples: sua empresa está utilizando todas as alternativas de capital disponíveis para sustentar seus próximos ciclos de crescimento?

Não existe uma única trajetória de sucesso. Algumas companhias crescerão com apoio de investidores de venture capital. Outras acessarão instrumentos de dívida. Algumas realizarão aquisições. Outras poderão considerar uma abertura de capital no futuro.

O mais importante é identificar qual instrumento faz mais sentido para cada momento da jornada.

Na B3, acreditamos que inovação, empreendedorismo, governança e acesso a capital são elementos complementares na construção das empresas do futuro. Por isso, seguimos trabalhando para ampliar as possibilidades de financiamento e aproximar cada vez mais companhias das oportunidades oferecidas pelo mercado de capitais.

Saiba mais sobre os diferentes instrumentos disponíveis para apoiar o crescimento do seu negócio, acessando aqui.

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